
Resolução política do PSOL-DF
O Distrito Federal voltou às manchetes nacionais com as investigações envolvendo o BRB e o Banco Master, um dos maiores escândalos de corrupção da história local. Mas o problema vai muito além: uma verdadeira máfia se consolidou no GDF, com fraudes e esquemas em diversas áreas.
Na saúde, o avanço da privatização, além de piorar o atendimento, abriu novas frentes de corrupção. A máfia dos transportes persiste, com repasses milionários às empresas concessionárias. E a política fundiária segue drenando dinheiro público para construtoras e grileiros.
Não restam dúvidas de que Ibaneis e Celina governam para os grandes grupos econômicos e de que a dupla envolveu o GDF na tentativa de golpe de 8 de janeiro, seja pela negligência ou pela cumplicidade explícita. Daí a importância de que sejam mantidos presos líderes de alto escalão dos atos golpistas, como o ex-Presidente Jair Bolsonaro e o ex-Secretário de Ibaneis, Anderson Torres. Seguimos na luta para que não haja anistia.
O cenário político atual
O DF é, hoje, uma das principais apostas da extrema direita no Brasil e expressa muito dos desafios que também vemos nos planos nacional e internacional. Não à toa, Michele Bolsonaro poderá disputar a eleição do Senado. E vale lembrar: em 2022, Ibaneis venceu em primeiro turno e Damares Alves conquistou com folga a única vaga do Senado em disputa.
Para enfrentar a extrema direita, é fundamental a esquerda aprender com suas experiências e não cometer os mesmos erros do passado. Precisamos de um novo ciclo de esquerda para o DF, em unidade, e com coragem para defender os interesses do nosso povo, sem conchavos com os setores tradicionais da política do DF e apoiado na mobilização popular.
É possível vencer, avançar posições e impor derrotas aos planos da família Bolsonaro e seus aliados em dominar o Distrito Federal. Para isso, será necessário que as esquerdas e o campo progressista democrático apostem em um programa nítido em defesa dos direitos do povo trabalhador, dos serviços públicos, contra as privatizações, que defenda a saúde e a educação públicas e a tarifa zero nos transportes, com valorização das periferias e um plano de defesa do meio ambiente e preservação do nosso cerrado.
O PSOL-DF
O partido está inserido em diversas lutas e enraizado em categorias e territórios, com sua militância organizada no movimento estudantil, sindical, popular e ecossocialista. No aspecto eleitoral, temos orgulho da nossa bancada distrital, com Fábio Felix e Max Maciel.
Enquanto Fábio se tornou o deputado mais votado da história, ultrapassando o figurão da direita, Luiz Estevão, e Max foi o terceiro mais votado, no mesmo pleito. E, para além da importância dos números, o PSOL também tem os mandatos mais combativos e atuantes na CLDF.
É com essa força e coerência que, em 2026, cumprindo a tarefa nacional de superar a cláusula de barreira, o PSOL-DF também poderá contribuir decisivamente para a ampliação de nossa bancada na Câmara dos Deputados, para a qual lançaremos uma valorosa e diversa nominata, com companheiros e companheiras destacados para cumprir essa importante tarefa. Assim, a disputa de uma cadeira na Câmara dos Deputados, para a qual a candidatura de Fábio Félix é a prioridade de todo o partido, será decisiva em 2026.
Da mesma forma, temos a tarefa de reeleger Max Maciel deputado distrital, manter e até ampliar nossa bancada da CLDF, tornando-a mais diversa. A eleição também deverá impulsionar e fortalecer novas lideranças e ativistas que estão no cotidiano das lutas nas cidades e, sobretudo, postular o PSOL como alternativa concreta na capital federal.
A construção da unidade
Após o pleito de 2022, o PSOL protagonizou a criação do Fórum de Oposição ao governo Ibaneis-Celina. Essa articulação foi fundamental para conseguir atuação unitária contra a privatização da Rodoviária do Plano Piloto, na proposição da CPI da Saúde e no voto conjunto contra a compra do Banco Master pelo BRB.
Agora, diante de uma das mais estratégicas e desafiadoras eleições para o Senado Federal, em que a extrema-direita centra suas forças para sufocar o STF e a Presidência da República, o PSOL-DF, que sempre lançou candidaturas majoritárias próprias, tem se movimentado em favor da unidade progressista no Distrito Federal no sentido de enfrentar a extrema-direita localmente. É por isso que nosso partido, que já consolidou apoio à pré-candidatura de Erika Kokay ao Senado, indica apoio à Senadora Leila Barros. Também postulamos presença nas suplências e na vice-governadoria.
Contudo, entendemos ser necessário voltar a disputar a sociedade com perfil programático nítido sobre o futuro que queremos para o DF. Enfrentando o discurso de ódio e o neoliberalismo. Por isso, essa unidade não deve incluir representantes e partidos da direita tradicional e do Centrão, ligados à especulação imobiliária, ao fundamentalismo religioso, aos esquemas de corrupção estabelecidos no atual governo. Nem devemos rebaixar nosso programa buscando o apoio de setores econômicos poderosos do DF. Não podemos construir alianças que nos fragilizem perante as demandas sociais e populares. Só com nitidez e coerência, conseguiremos convencer e derrotar a extrema-direita e o projeto de poder de Ibaneis e Celina.
Nesse sentido, para construir esse diálogo, o PSOL-DF convocará uma reunião com Rede, PT, PCdoB, PSB, PDT e PV ainda no início de 2026.
Eixos programáticos propostos pelo PSOL-DF:
- Transporte e mobilidade: Tarifa zero todo dia! Abertura da caixa-preta dos subsídios às empresas de transporte e manutenção dos empregos.
- Empresas públicas: Fortalecimento da CAESB e do Metrô-DF, contra todas as privatizações.
- Serviço público: Valorização e fortalecimento da carreira dos servidores públicos.
- Direitos das mulheres: Defesa dos direitos sexuais e reprodutivos; Garantia do aborto legal; Combate à epidemia do feminicídio com mais orçamento e integração da rede de apoio; Zerar a fila das creches.
- Política urbana e fundiária: Combate à especulação imobiliária; Reforma urbana e agrária no DF.
- Saúde: Defesa do SUS público, universal e estatal, com o fim do IGES-DF e das terceirizações; combate aos contingenciamentos e cortes orçamentários; ampliação da rede de serviços; realização de concursos públicos; garantia de melhores condições de trabalho e fortalecimento da atenção primária à saúde.
- Educação: Posicionamento contrário à militarização das escolas e aos cortes na educação; ampliação do orçamento público; realização de concursos públicos; expansão da rede escolar; valorização das e dos profissionais da educação; melhoria da infraestrutura e das condições de ensino-aprendizagem; defesa da gestão democrática e implementação de políticas de apoio psicossocial nas escolas. nomeação das assistentes sociais e psicólogas em todas as regionais de ensino.
- Patrimônio público: Brasília não está à venda! Reversão das privatizações da CEB, Rodoviária, Orla do Lago e outros espaços públicos. Fortalecimento do caráter público do BRB, servindo aos interesses do povo do DF.
- Socioambiental: Defesa das águas e do Cerrado; Combate ao racismo ambiental com saneamento nas periferias e plano de arborização em todo o DF; Regularização dos territórios indígenas do DF Bananal, Aldeia Areme Eia e Santuário dos Pajés, com enfrentamento à especulação imobiliária e proteção dos mananciais; Reestruturação e implementação do Plano Distrital de Adaptação Climática; Proteção das regiões de nascentes e recarga hídrica, como Cafuringa, Águas Emendadas e Serrinha do Paranoá; Incentivo à agroecologia, com ampliação das feiras orgânicas, viveiros de mudas do Cerrado e produção de fertilizantes agroecológicos nas áreas de reforma agrária; Formação de brigadas permanentes de combate aos incêndios e a regeneração de áreas degradadas com espécies nativas e frutíferas para abastecimento do PNAE; Responsabilização e reparação pelos impactos do lixão de Padre Bernardo, com fortalecimento das cooperativas de catadores; Defesa das águas como bem comum, combatendo empreendimentos que ampliam o risco de crise hídrica; e Implementação de políticas continuadas de educação ambiental crítica nas escolas, territórios e comunidades.
- Trabalho: Fim da escala 6×1 nas empresas contratadas pelo GDF; Reversão das terceirizações. Cumprimento da lei nº 6.677/2020 que obriga a criação dos pontos de apoio para entregadores e motoristas de aplicativo.
- Cultura: Ampliação do financiamento público com mecanismos acessíveis e menos burocráticos. Criação de centros culturais em todas as cidades, pelo fortalecimento da produção local e das expressões periféricas — como Batalhas de MC’s e Balls — com garantia de segurança e liberdade de expressão. Compromisso com a cultura da diversidade — negra, indígena, LGBT e periférica — como base para um projeto político transformador no DF.
- Segurança pública: Combate ao crime organizado e suas vinculações com o mercado financeiro; Política de iluminação pública para a segurança urbana; Enfrentamento das violações de direitos institucionalizadas no sistema prisional, marcadas pela precariedade, violência e ausência de assistência adequada; Defesa de mecanismos de controle e transparência da atuação policial, com a implementação de câmeras corporais nas polícias;
- Assistência social: Ampliação e implantação de novos serviços de assistência social, com expansão da rede pública especialmente nas regiões periféricas; gestão estatal direta da política, com o fim das terceirizações e da transferência do fundo público; realização de concursos públicos, garantia de melhores condições de trabalho e fortalecimento do SUAS como sistema público de proteção social.
- Por uma educação inclusiva, de respeito às mulheres, pessoas negras, LGBTI+, indígenas e com deficiência.
- Cotas trans nos concursos para o funcionalismo distrital e para a UnDF.
