Partido aponta envolvimento direto do governador do DF nas tratativas para aquisição do Banco Master pelo BRB

O PSOL-DF protocolou, nesta quinta-feira (23/01), um pedido de impeachment do governador Ibaneis Rocha (MDB-DF) por crime de responsabilidade, em razão de sua atuação direta nas tratativas para a aquisição do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB), mesmo diante dos elevados riscos da operação para o patrimônio público do Distrito Federal.

A ação foi encaminhada à Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) e é assinada pela presidenta regional do PSOL, Giulia Tadini, e pelos deputados distritais Fábio Felix e Max Maciel.

De acordo com os signatários, há indícios suficientes de atentado à probidade na administração pública. O pedido sustenta que o governador, na condição de chefe do Poder Executivo e acionista controlador indireto do BRB, teria impulsionado e defendido publicamente uma operação de alto risco envolvendo uma instituição privada sob severa desconfiança do mercado e que posteriormente sofreu intervenção regulatória.

“O denunciado, na qualidade de Chefe do Poder Executivo e acionista controlador indireto do BRB, teria impulsionado e defendido publicamente operação de elevado risco envolvendo instituição privada sob severa desconfiança do mercado e posterior intervenção regulatória, podendo ter concorrido para o deslocamento indevido de riscos à esfera pública e para a exposição do patrimônio do BRB e, por consequência, do patrimônio público do Distrito Federal”, destaca trecho do pedido de impeachment.

O documento também ressalta que o prejuízo ao BRB tornou-se incontestável. Na mesma data do protocolo do pedido, o Banco Central determinou que o BRB realize um aporte de R$ 2,6 bilhões para cobrir perdas decorrentes das operações com o Banco Master.

A gravidade do cenário é agravada por declarações do próprio governador Ibaneis Rocha, que, ao tentar tranquilizar o mercado, afirmou que o Distrito Federal possui mais de R$ 200 bilhões em patrimônio imobiliário — incluindo a Terracap — “caso a administração distrital ou a instituição precisem de recursos”. Para o PSOL, a fala sinaliza, na prática, a possibilidade de comprometimento adicional do patrimônio público para cobrir os impactos do caso Master.

O pedido de impeachment também aponta que o envolvimento direto do governador na operação é amplamente demonstrado. Além de ter atuado publicamente em defesa da negociação, tanto o controlador do Banco Master quanto o então presidente afastado do BRB confirmaram ter tratado do tema diretamente com Ibaneis Rocha, em reuniões e jantares.

“O envolvimento direto do governador na operação é patente: além de ter se engajado na defesa pública da operação, tanto o controlador do Master quanto o presidente afastado do BRB confirmaram ter discutido essa operação com o governador, em reuniões e jantares”, reforça o documento.

Para o PSOL-DF, os fatos exigem apuração rigorosa por parte da Câmara Legislativa, diante do risco concreto ao patrimônio público e da gravidade das condutas atribuídas ao chefe do Executivo distrital.